De reserva à Seleção Brasileira: como o Hertha Berlin ajudou Matheus Cunha a crescer


O ano de 2020 já virou sinônimo de má sorte e notícias ruins, mas não é bem esse o caso de Matheus Cunha. Chamado neste mês pela primeira vez para a Seleção Brasileira principal, ele só se colocou em condição de receber essa convocação ao longo dos últimos nove meses. O ótimo pré-olímpico disputado na Colômbia e a transferência para o Hertha Berlin impulsionaram a carreira dela e foram os responsáveis por colocar o brasileiro no radar de Tite.


O sucesso de Matheus Cunha no Hertha Berlin pode dar a impressão que a passagem dele pela Bundesliga teve sucessos desde o princípio, mas até o começo do ano ele dava poucos sinais de que ia decolar em campo. Ele chegou na Alemanha no meio de 2018 para reforçar o Leipzig, clube que tem no seu DNA a formação de jovens atletas. E justamente lá o brasileiro não conseguiu se desenvolver.


Mais relevante que ver os números da passagem pelo Leipzig, é lembrar como Matheus Cunha era usado na equipe nas poucas oportunidades que ele teve como titular. Das 11 vezes que ele começou um jogo da Bundesliga pelo clube, em 6 ele foi posicionado como o companheiro de ataque de Timo Werner. Claro que o alemão era o protagonista e quem tinha a liberdade para sair da área e explorar o ataque, enquanto o brasileiro ficava mais preso à frente do gol.


Matheus Cunha já mostrou grande capacidade para ser o jogador mais avançado da equipe, como mostrou no pré-olímpico disputado no começo do ano ao se tornar o artilheiro da competição com cinco gols. No entanto, ele parece atingir o ápice do seu potencial quando aparece carregando a bola fora da área em direção ao gol, quando pode usar sua habilidade pra atormentar os zagueiros. Foi graças a um lindo drible que ele concorreu ao prêmio Puskas, afinal.


Mesmo no pré-olímpico o atacante já se destacava em lances de velocidade ou aparecendo fora da área enquanto um companheiro se colocava na cara do gol. No Hertha, Bruno Labbadia levou isso a outro nível e nesta temporada ficou comum ver ele buscando a bola no meio-campo pra ajudar - com sucesso - na criação de jogadas, enquanto Krzysztof Piatek e Dodi Lukebakio ficam mais avançados. Ainda são apenas duas rodadas de Bundesliga, mas o treinador não deve desistir dessa ideia tão cedo.



Ralf Rangnick e Julian Nagelsmann são dois dos principais treinadores alemães no século e trabalharam com Matheus Cunha em Leipzig. E nenhum deles tirou do brasileiro o que ele vem mostrando em 2020. Sair de um clube onde ele era visto como coadjuvante e ir para outro onde havia espaço para um protagonista aparecer fez a diferença. Sorte do Hertha Berlin e da Seleção Brasileira.

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