A busca sem fim por um artilheiro no Schalke

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Depositar as esperanças em um atacante que joga de azul em Gelsenkirchen não vem sendo fácil. Mesmo com boas posições na tabela da Bundesliga em temporadas recentes - algumas delas com alto número de gols -, a falta de um artilheiro que tenha a capacidade de balançar as redes com regularidade persegue o Schalke. A última vez que jogador do clube teve mais de 12 gols em uma edição do campeonato alemão - marca longe de ser expressiva - foi em 2012 e os dois últimos anos foram sofríveis. Com uma produção ofensiva digna de time rebaixado, meio-campistas acabaram como os maiores artilheiros da equipe.

As preces para a temporada 2020/21 serão voltadas para Vedad Ibisevic, única contratação até aqui na janela de um clube afundado em problemas financeiros. No entanto, o sérvio não pode gerar grandes expectativas, já que a última vez que ele passou dos 12 gols na Bundesliga foi em 2013. Em temporadas recentes também aconteceram apostas em Franco di Santo, Breel Embolo, Mark Uth e Guido Burgstaller. Todos contratados para jogar no ataque, mas apenas o último deles conseguiu ser artilheiro do time em uma edição do campeonato alemão.

A última vez que um jogador do Schalke passou de 12 gols na Bundesliga foi com Klaas-Jan Huntelaar, quando ele marcou 29 gols na temporada 2011/12 e se tornou o artilheiro do campeonato alemão. Foi também a última grande temporada temporada ofensiva que o torcedor do Schalke testemunhou e a última de Raúl com a camisa azul, com a vaga na Champions League como a cereja no bolo. Depois disso, o atacante holandês ainda foi o maior goleador da equipe por mais quatro anos - em um deles empatado com Jefferson Farfán -, mas nunca mais chegou perto da sua melhor marca na carreira.

Burgstaller chegou no meio de 2016 e logo nas suas duas primeiras temporada foi o artilheiro do Schalke na Bundesliga, mesmo que longe dos principais atacantes do campeonato. Ele tem as características típicas de um centroavante de área, com altura e força que dão vantagem quando a questão física é importante para ganhar a bola. Isso pode ser bem aproveitado em certos cenários, mas no Schalke dos últimos anos virou muleta para quando não existe qualquer sinal de criatividade no ataque. Se a bola não chega perto do gol, joga ela no grandalhão e vê o que acontece. Como a técnica não é o forte dele, a ideia não costuma dar certo.

A última vez que Gelsenkirchen esteve bem representada na Bundesliga foi no vice-campeonato da temporada 2017/18. O time dirigido por Domenico Tedesco se apoiava fortemente na defesa e contava com bolas paradas para vencer. Dos 53 gols marcados, 24 foram assim, sendo dez de pênalti - marcas bem superiores a de qualquer time no campeonato. O número foi tão fora da curva que até mesmo se aproximar dele novamente já seria um grande feito. Não foi o que aconteceu no ano seguinte com os 14 gols de bola parada, sendo sete em cobranças de pênalti.

Após o 2º lugar, duas temporadas que estão entre as piores do Schalke na Bundesliga neste século. Di Santo, Embolo e Uth nunca fizeram em Gelsenkirchen a quantidade de gols que motivou o clube investir neles e o trio acabou se desvalorizando à medida em que os jogos passavam e as redes não balançavam. Nesses dois últimos anos, quem mais marcou gols pela equipe no campeonato alemão foram os meias Daniel Caligiuri e Suat Serdar (sete para cada). 

Só que o problema está longe de se resumir à qualidade dos homens de frente ou à queda de eficiência das bolas paradas. Falta um time que saiba o que fazer quando tem a bola no ataque e não dependa de brilhos eventuais, como aconteceu em boa parte da última temporada. Quando Amine Harit não resolvia, as engrenagens paravam de funcionar. Enquanto David Wagner não encontrar uma solução para isso e o clube como um todo não se organizar financeiramente, a tendência é que os próximos atacantes do Schalke sigam trazendo mais decepções e prejuízos do que gols. 

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