O que com Kovač era utópico, tornou-se realidade com Flick, o grande nome de uma histórica temporada do Bayern


Se alguém falasse, lá no início da temporada 2019/20 (agosto de 2019), que o Bayern de Munique terminaria com o Triple (tríplice coroa), eu certamente riria e chamaria a pessoa de louca. 


Aquele momento, o Bayern vivia muitas incertezas. Apesar de ter terminado 2018/19 com o Double (Bundesliga e DFB-Pokal), que não vinha há três anos, o desempenho da equipe, e não só, não era bom e, o então técnico Niko Kovač, vivia sob desconfiança.


Kovač não é um mau técnico, longe disso, porém ele provou não estar à altura do nível de exigência de um clube como o Bayern, pelo menos por agora. Quem sabe no futuro.


A temporada começou com derrota, por 2 a 0, para o rival Borussia Dortmund na Supercopa da Alemanha. Da genialidade de Jadon Sancho à segura atuação da linha defensiva (que, inclusive, não contava com alguns dos titulares), parecia ser um alento ao torcedor aurinegro , que viu o time fracassar na missão de dar fim à dinastia bávara na temporada anterior.


Passaram-se as semanas e, em meio a jogos de Bundesliga, Liga dos Campeões e DFB-Pokal, Niko seguia de mal a pior, carregado por Robert Lewandowski. Quase eliminado pelo Bochum, da segunda divisão, na 2ª fase da Copa da Alemanha.  


O basta (tardio) só veio em novembro, após a humilhante derrota por 5 a 1 para o Eintracht Frankfurt, na 10ª rodada da Bundesliga. Por iniciativa própria, deixou o cargo. Parecia questão de tempo até que fosse demitido, mas o próprio optou por não esperar o momento chegar.


Assumiu a, então, figura desconhecida Hans-Dieter Flick, o auxiliar de Kovač. Estreou goleando o Borussia Dortmund, na Allianz Arena, por 4–0, em uma atuação que há muito tempo não se via por parte dos bávaros. Entre rumores e mais rumores sobre quem seria o novo treinador do Bayern, Hansi permaneceu. 


Entregou o que o antecessor não conseguira: atuações brilhantes (regularmente) aliadas a bons resultados e a notória união do grupo. 


Tomou a dianteira na Bundesliga, na terceira rodada do segundo turno e não deu indícios de que dali sairia. Sua equipe não deixou transparecer que havia um limite de desempenho em nenhum momento, como diversas vezes a de Kovač deixou.

 

O Bayern voltava a ser o grande favorito à conquista da Meisterschale e postulante ao título da Liga dos Campeões pelo que fazia em âmbito nacional.


Em fevereiro de 2020, Hansi se provava, realmente, a figura certa para o Bayern. Ao passear sobre o Chelsea, em Londres. Um leve 3 a 0, na partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões deu ao professor o reconhecimento que merecia. A partir daí, as coisas passaram a acontecer de forma impressionante. Recebeu um novo contrato, válido até 2023. 


Aí veio a pandemia da Covid-19. O campeonato nacional parou por meses e ninguém sabia como voltaria a equipe. 


Retornou vencendo (o Union Berlin, em Berlim), sem convencer, é verdade, mas vencendo. Gradualmente o ritmo foi voltando e as grandes atuações, também. 


Encaminhou a oitava conquista consecutiva da Bundesliga, pouco tempo depois, ao bater o Borussia Dortmund, no Signal Iduna Park, com um lindo gol de Joshua Kimmich, na 28ª rodada. O jogo, cercado de polêmicas, nem foi de tanto domínio do visitante, mas foi o suficiente para que levassem à Munique três pontos fundamentais para o título.


À duas rodadas do fim da competição, foi confirmado o inédito octacampeonato. A próxima missão era ir à Berlim e conquistar, pela 20ª vez, a Copa da Alemanha. Dito e feito. Com grande atuação da máquina polonesa, o Rekordmeister superou o Leverkusen e levou seu vigésimo Graal para a Baviera.


Daí veio, novamente, uma pausa, agora pelo término da temporada doméstica. Pouco mais de um mês em hiatos, até que voltasse a Liga dos Campeões.


A equipe não pareceu sentir em nada o período sem jogos, voltou atropelando o Chelsea, pela partida de volta das oitavas, em seguida Barcelona e Lyon, por quartas e semifinais, até que chegasse à final contra o Paris. O Paris de Neymar.


Restou ao Bayern ser tratado como vilão por parte da mídia brasileira e, especialmente, pelos torcedores, justamente por do outro lado estar o grande nome da geração do nosso futebol. Aliás, o próprio canal responsável pela transmissão da competição no Brasil não deu o devido respeito. Chegou a publicar que o Bayern buscava a tríplice coroa, mas na arte com os troféus já conquistados, os inverteu. Foram alertados nos comentários, inclusive por nós, mas de nada adiantou. Deixou por isso mesmo. Comentários como "time sem carisma, não tem condição de torcer pra essa p*rra" a "time de nazista"  também eram bem fáceis de encontrar por aí. 


O jogo, em si foi de altíssimo nível, como se esperava. O Bayern teve o controle na maior parte do tempo, foi ameaçado algumas vezes, graças às individualidades do rival, mas embaixo das traves estava Manuel Neuer. De lindo passe de Thiago para Kimmich à cabeça de Kingsley Coman, tão criticado pela torcida e com sérios problemas de lesão, veio a coroação da temporada. O herói do jogo não foi nem Neymar, nem Lewandowski. Um duelo tão esperado, não teve tanto destaque de nenhum dos dois.


Nada disso seria possível se o técnico fosse Kovač ou outro, como Mourinho, Erik ten Hag ou Maurício Pochettino, que eram os nomes ventilados, após a saída do croata.


Hansi resgatou o combalido Bayern do início da temporada, que chegou a ficar fora da zona de classificação para as competições europeias, em dado momento, e o transformou em campeão de tudo, em sua primeira experiência como treinador! 


Comandou a equipe em 36 jogos, venceu 33, empatou apenas um (contra o RB Leipzig) e perdeu outros dois. Apenas Marco Rose e Peter Bosz, de Borussia Mönchengladbach e Bayer Leverkusen, o superaram em 90 minutos. 


Um verdadeiro gigante, o grande nome do Bayern na temporada. Maior até que Robert Lewandowski, Serge Gnabry e Thomas Müller que, aliás, só jogou o que jogou nesta temporada graças a Hansi. Com Kovač, era escanteado, preterido a Coutinho. Parecia próximo de sair do Bayern, mas ficou e recuperou seu grande futebol. É craque e isso precisa ser reconhecido.


Se Hansi vai repetir a dose nas próximas temporadas, não sabemos. Mas é certo que ele já está marcado entre os grandes nomes da história do clube e é peça chave para o futuro do futebol alemão, não só do Bayern.

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