Thomas Hitzlsperger e sua luta contra a homofobia no futebol alemão

Um dos mais corajosos jogadores da história do futebol alemão, Thomas Hitzlsperger fez parte do estopim para o pioneirismo do futebol germânico na luta contra a discriminação sexual

Thomas Hitzlsperger (Foto/Reprodução: Quelle: DDP)

O futebol alemão é visto como um dos mais progressistas do mundo, desde as arquibancadas, até a sala da diretoria dos clubes. Causas antidiscriminatórias são abordadas intensamente e, basicamente, todos têm a mesma opinião: não tolerar quaisquer tipo de discriminação. No último dia 17 de maio, muitos clubes alemães se manifestaram nas redes sociais no Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Entretanto, foram vistas algumas bandeiras arco-íris - símbolo do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgênero - nas bandeirinhas de escanteio dos campos e nas braçadeiras de capitão de alguns jogadores, ação essa que, inclusive, tem sido recorrente em algumas instituições, tal como o VfL Wolfsburg.

Bandeira Arco-Íris no Signal Iduna Park, estádio do Borussia Dortmund (Foto/Reprodução: Borussia Dortmund Twitter)

No dia 8 de janeiro de 2014, o ex-meio-campista Thomas Hitzlsperger, concedeu entrevista ao jornal alemão Die Zeit e assumiu publicamente sua homossexualidade. Atualmente diretor esportivo do VfB Stuttgart e embaixador da diversidade na Federação Alemã de Futebol (DFB), Thomas considerou aquele como o momento mais oportuno para trazer a verdade à tona, justamente para estimular a conversa sobre o tema dentro dos vestiários e, também, fora deles. "Estou assumindo minha homossexualidade porque quero impulsionar a conversa sobre homossexualidade entre esportistas profissionais", disse o ex-atleta.

Em meados de 2013, a Deutsche Fußbal Liga (DFL), responsável pelas duas principais divisões: Bundesliga e 2. Bundesliga, assinou a Declaração de Berlim, termo esse destinado para combater a homofobia no futebol do país. O fato é que Reinhard Rauball, presidente da federação, se recusou de primeira a firmar a declaração e chegou a dizer que: "o futebol não estava pronto para jogadores gays". Contudo, posteriormente, o presidente reconheceu sua infeliz declaração e assinou o documento, que vinha acompanhado de um guia denominado de "Futebol e Homossexualidade", e todos os clubes das principais divisões receberam cópias.

O lema da Declaração de Berlin vai direto à raiz do tema: "Juntos contra a homofobia. Por diversidade, respeito e aceitação no esporte". Logo nos dias seguintes de assinar o documento, a DFL emitiu uma nota declarando a sua mais nova luta: “A associação dá um sinal claro contra a homofobia ao se juntar à Declaração de Berlim. Mente aberta e tolerância precisam ser marcas registradas da Bundesliga. Isso inclui também uma declaração clara contra a homofobia. A orientação sexual, assim como a cor da pele ou a religião, não deve ser um pretexto para exclusão ou negação", publicou a Liga Alemã de Futebol

Hoje em dia, sem dúvidas, o futebol germânico é o principal na luta contra a homofobia, e Thomas falou sobre isso em 2019 à revista alemã Sportschau"Acho que agora existe um nível de discussão completamente diferente. Não é mais um tabu. Não tenho medo de pressão ou abuso de torcedores que não compartilham da ideia, até porque acho que eles definitivamente não são um problema. Pelo contrário: os torcedores de futebol agora são muito mais esclarecidos, muito mais abertos", enfatizou.

Torcedores exibem faixa "Contra a Homofobia" (Foto: Picture-Alliance/DPA)

Hitzlsperger nunca se sentiu envergonhado de sua sexualidade. Na mesma entrevista em que se assumiu, em 2014, o alemão disse: "Só nos últimos anos tive certeza de que preferia viver com um homem. Eu nunca me senti envergonhado por ser quem eu sou, mas nem sempre foi fácil me sentar à mesa com 20 homens e ouvir piadas sobre gays", apontou. Em janeiro de 2020, o então atual diretor esportivo dos Suábios comemorou os seis anos de sua revelação: "Hoje, seis anos atrás, eu me assumi. (...) fiz o que achava certo. [A decisão] me provou: você não precisa ser como ninguém para ser alguém”, ressaltou Thomas. 
Aposentado desde outubro de 2012, por não suportar as consecutivas lesões na carreira, o ex-jogador defendeu a seleção da Alemanha em 52 partidas e marcou seis gols entre 2004 e 2011, disputou a Copa do Mundo de 2006 e foi vice-campeão da Eurocopa de 2008. Também jogou pelos clubes ingleses Aston Villa, West Ham e Everton, vestiu a camisa dos italianos da SS Lazio e em seu país natal, atuou por VfL Wolfsburg e VfB Sttutgart, sendo uma das peças fundamentais da conquista da Bundesliga 2006/07 pelo clube onde trabalha internamente nos dias atuais.

Talvez, o clube mais conhecido, mundialmente, por ser instituir ao símbolo gay e libertário, seja o FC St. Pauli - atualmente na segunda divisão -, mas este é um assunto para um outro bom texto.

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