Na sua década de ouro, Mönchengladbach esteve perto de conquistar a elite da Europa

Na trave! Conheçam os times alemães que ficaram a um passo de conquistar a Europa. Parte 02

Foto/Reprodução: Getty Images


Nem só de glórias é feito o futebol. A Alemanha, quarto país com mais títulos da Liga dos Campeões, também acumula algumas dolorosas derrotas nos campos europeus. Liderados pelo todo poderoso Bayern de Munique, os germânicos se acostumaram a vencer. Foram cinco títulos do Bayern, um do Borussia Dortmund e um do Hamburgo. Os três clubes de maior torcida são, com isso, responsáveis pelas sete conquistas alemães. Mas se três equipes alcançaram a maior glória do futebol europeu, três bateram na trave e quase tocaram no céu. Eintracht Frankfurt, Borussia Mönchengladbach e Bayer Leverkusen estiveram a um pequeno passo do estrelato.

O Caminho: 

A Liga dos Campeões de 1977 contou com dois times alemães. A presença de dois representantes da Alemanha não era novidade para os europeus. Era a terceira vez consecutiva que Bayern de Munique e Borussia Mönchengladbach se classificavam para o maior torneio de clubes do planeta. Os bávaros disputavam a competição por serem os atuais tri campeões continentais, enquanto o Mönchengladbach ocupava a vaga destinada ao campeão da Bundesliga. Se o time de Beckenbauer e Gerd Muller dominava a Europa, a equipe de Jupp Heynckes, Simonsen e Herbert Wimmer sobrava na Alemanha. O time comandado por Udo Lattek era o atual bicampeão nacional, conquistando o seu tri campeonato, e o seu quinto no total, exatamente na temporada 76/77. Com dois representantes e com o atual tri campeão, era de se esperar que a Alemanha mantivesse a sua hegemonia nos gramados europeus ao fim de 1977. E isso quase aconteceu.

Berti Vogts, a esquerda, e Udo Lattek, a direita, com o troféu do Campeonato Alemão da temporada 1975-1976.
Foto/Reprodução: Bundesliga Classic


O caminho do Borussia Mönchengladbach na Liga dos Campeões de 1977 começou em Viena, na Áustria. A equipe de Udo Lattek enfrentou o Áustria Viena pela primeira fase da competição e venceu por três a um no placar agregado. No jogo disputado em Viena, um a zero para os donos da casa. Os potros voltaram para a Alemanha precisando de uma vitória por dois gols de diferença. E conseguiram. Em casa, venceram os campeões austríacos por três a zero, avançando para a segunda fase da competição. Os gols do time da casa foram marcados por Stielike, Bonhof (de pênalti) e Heynckes.

Na segunda fase, uma pedreira: o Torino. Assim como na primeira fase, o jogo de ida foi longe da Alemanha. Jogando no estádio Olímpico de Turim, a equipe alemã não sentiu o peso de enfrentar o campeão italiano e venceu por dois a um, gols de Vogts e Klinkhammer. No jogo de volta, empate por zero a zero e Borussia Monchengladbach classificado para as quartas de final. 

Nas quartas, junto com os outros sete melhores clubes da Europa, os comandados de Lattek precisaram, pela primeira e última vez na competição, definir o confronto longe dos seus domínios. Jogando, em casa,  contra o Club Brugge, os potros viram os belgas abrirem dois a zero com 39 minutos de jogo. Mas apesar do susto, Kulik marcou para os donos da casa aos 43 do primeiro tempo, mantendo a equipe tricolor viva na partida. O gol que evitou a derrota do Borussia só veio aos 63 minutos com o dinamarquês Simonsen.  Precisando de uma vitória na Bélgica, o Monchengladbach teve que ir para o tudo ou nada contra o time de Julien Cools (artilheiro do Brugge naquele ano). O jogo de volta foi um verdadeiro teste para cardíaco, com a equipe visitante conseguindo o gol da classificação aos 84 minutos de jogo. O tento anotado por Wilfried Hannes carimbou a passagem dos campeões alemães para as semifinais da Liga dos Campeões.

Foto/Reprodução: Onze, publicado em 16 de April de 1977


Menos de um mês após eliminar o Brugge, o time de Udo Lattek se preparava para enfrentar o Dynamo de Kiev, representante soviético que havia acabado de eliminar o tri campeão Bayern de Munique com o apoio de 102 mil ucranianos, recorde histórico do estádio Olímpico de Kiev. O jogo de ida das semifinais foi realizado no dia 6 de abril de 1977, em Kiev. O único gol da partida aconteceu aos 71 minutos de jogo, quando Reshko cobrou um escanteio na primeira trave e Onyshchenko se adiantou a defesa do Borussia para inaugurar o marcador. A derrota em Kiev forçava os potros a vencerem por, pelo menos, dois gols de diferença para se classificarem diretamente para a grande final. O jogo de volta aconteceu duas semanas depois, no dia 20 de abril de 1977, em Dusseldorf, Alemanha. Precisando do resultado, o Monchengladbach não demorou para abrir o placar. Aos 21 minutos, Bonhof fez, de pênalti, o gol que mantinha o Borussia vivo no jogo e levava a partida para a prorrogação. O gol que garantiu a ida dos potros para a final só veio aos 82 minutos, quando Wittkamp, de cabeça, fez dois a zero para o time alemão. 

A grande final da Liga dos Campeões de 1977 aconteceu em Roma, cidade cujo império dominou meio mundo. Diante de 52 mil pessoas, no estádio Olímpico de Roma, os alemães colocavam a sua própria dinastia para jogo. Um domínio de três anos, em âmbito europeu, poderia ser perdido ou ampliado diante do Liverpool de Ian Callaghan e Kevin Keegan

A Grande Final: 


Foto/Reprodução: Wikipedia. Autor desconhecido.



No dia 25 de maio de 1977, Liverpool e Borussia Mönchengladbach se enfrentaram pela final da Liga dos Campeões da temporada 76/77. Em Roma, cidade que daria dois títulos europeus para os reds, o campeão inglês e o campeão alemão mediram as suas forças em uma partida que marcaria o fim do domínio alemão e o início de uma era de conquistas europeias para os times da terra da rainha. 

Vindo de dois títulos nacionais consecutivos, o Liverpool de Bob Paisley faria história nas décadas de 70 e 80, ganhando 15 títulos de primeira grandeza (campeonato inglês e Liga dos Campeões) na sua era mais vitoriosa de todos os tempos. Do outro lado, Udo Lattek comandava a geração de ouro do Monchengladbach, time que ganhou todos os seus cinco títulos da Bundesliga e os seus dois títulos da Copa da UEFA (atual Liga Europa) na década de 70.

O confronto de dois dos times mais dominantes da década de 70 foi acompanhado por 52 mil espectadores em Roma, Itália. Comandado por Bob Paisley, o Liverpool foi a campo em um 4-4-2 e com a seguinte escalação: Clemence; Neal, Smith, Hughes e Jones; Callaghan, Case, McDermott e Kennedy; Keegan e Heighway. Do lado alemão, Lattek enviou a campo Kneib; Vogts, Wittkamp, Bonhof e Klinkhammer; Schaffer, Stielike e Wohlers; Simonsen, Heynckes e Wimmer, atuando em um 4-3-3.

A partida começou bastante equilibrada, com os dois times trocando bons passes e chegando, até com certa facilidade, a meta adversária. A primeira grande oportunidade do jogo veio aos 13 minutos. Neal lançou Keegan, que, de cabeça, escorou para McDermott. O meio-campista dominou e logo na sequência encontrou Keneddy na entrada da área. O camisa 5 chegou chutando e acertou um belo arremate, exigindo grande defesa de Kneib. A resposta do Borussia Mönchengladbach veio nove minutos depois, aos 22. Após belo contra-ataque, Heynckes passou para Bonhof, que arriscou do meio da rua e acertou, em cheio, a trave direita de Clemence. O chute rasteiro do camisa 8 paralisou os ingleses por alguns segundos, até que, enfim, pudessem comemorar, aliviados, o auxílio do poste. Mas o susto causado aos torcedores do atual campeão inglês não saiu impune. Seis minutos depois, aos 28 minutos, o Liverpool inaugurou o placar com McDermott. Após boa recuperação de bola no meio-campo, Heighway encontrou, com um passe lindíssimo, McDermott livre na grande área. Como iria acontecer no restante da partida, o gol do Liverpool contou com uma enorme participação da defesa do Borussia. Uma dobra mal feita em Heighway foi o suficiente para que o irlandês encontrasse McDermott em um imenso vazio na entrada da grande área. Quando recebeu a bola, o camisa 11 nem titubeou, acertando um chute preciso no canto direito de Kneib, que nada pode fazer. O primeiro tempo acabou sem que nenhum dos dois times tenham criado mais alguma grande oportunidade de gol. O domínio do Liverpool nos primeiros 45 minutos foram evidentes e, também, suficientes para que a equipe da Inglaterra fosse para o intervalo com a vantagem no placar.

Foto/Reprodução: Getty Images


O segundo tempo mal havia começado e o Borussia Monchengladbach já havia empatado o confronto. Aos 52 minutos, Simonsen aproveitou uma bola mal recuada pela defesa dos reds, invadiu a área e chutou forte, no ângulo, sem chances para Clemence. O gol de empate deu fôlego para os potros, que voltaram a pressionar o campeão inglês. Pouco tempo depois de igualar o marcador, Simonsen teve uma ótima oportunidade de virar o jogo mas errou a cabeçada, jogando a bola por cima da meta do Liverpool. A última grande chance de virar o placar aconteceu aos 63 minutos. Simonsen avançou pela ponta direita e lançou para Heynckes, que dominou a bola, invadiu a área e chutou em cima de Clemence, que fez uma ótima defesa.  E foi logo após o erro de Heynckes, quando os ingleses pareciam estar na corda, que a equipe de Bob Paisley acertou um belíssimo cruzado no sonho do Gladbach de levantar a orelhuda. Aos 65 minutos, Heighway cobrou um escanteio na medida para Smith, de cabeça, devolver a liderança para os reds. O golpe derradeiro, aquele que levaria o time de Lattek para a lona só aconteceu aos 82 minutos, após Vogts derrubar Keegan na área. Pênalti para o Liverpool, convertido por George Neal. 

A derrota para o Liverpool impediu que o melhor time da história do Monchengladbach conquistasse o maior torneio de clubes da Europa. Porém, seus cinco títulos da Bundesliga são, até hoje, o maior orgulho de sua torcida. Comandados por Udo Lattek e capitaneados por Berti Vogts, os potros da década de 70 foram muito mais que um time vice-campeão europeu. Seus feitos e seu desempenho dentro das quatro linhas são um símbolo, carregado com orgulho por um dos maiores e mais tradicionais clubes da Alemanha. 












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