12 de maio de 2007: uma data especial para o lado amarelo do Vale do Ruhr

Os aurinegros impediram o Schalke 04 de dar um grande passo rumo a quebra do longo jejum de títulos do campeonato alemão

A torcida do Dortmund contratou um avião para sobrevoar o estádio com um banner em provocação ao Schalke pela renovação do jejum de títulos do campeonato alemão, que perdura até hoje. "Uma vida inteira sem uma taça na mão" (Imago)

Mãe de todos os clássicos da Alemanha, o Revierderby acumula muitas histórias memoráveis e com valor sentimental gigantesco para torcedores de Borussia Dortmund e Schalke 04. Podemos usar como exemplo o empate por 4 a 4 entre as equipes pela Bundesliga de 2017–18. Na ocasião, os auri-negros eram mandantes do jogo e foram para o intervalo com 4 a 0 a favor. No segundo tempo veio a reação e o empate dos azuis-reais. De formas diferentes, o confronto está eternizado na memória de ambas torcidas.

Muitos fãs do Dortmund dizem que os do Schalke comemoram este empate como se fosse um título. Porém, quem comemorou uma vitória no Dérbi como se fosse verdadeiramente um título foram os torcedores auri-negros em 2007.

Dois anos após ter ficado à beira da falência, a situação do Dortmund ainda não era totalmente tranquila no que diz respeito às finanças e esportivamente o clube não atravessava seus melhores dias. O Schalke, por outro lado, tinha um dos melhores times da época e brigava fortemente pela Salva de Prata do campeonato.

Ocupando a nona colocação, o Dortmund chegou à penúltima rodada com um propósito: estragar a festa dos azuis-reais. Àquela altura, o Schalke liderava a Bundesliga com um ponto de vantagem para o segundo colocado, Stuttgart.

O elenco do Schalke contava com grandes nomes, desde jovens em ascensão até jogadores consolidados. Manuel Neuer, Mesut Özil, Rafinha, Lincoln e tantos outros atletas de qualidade eram algumas das peças dos azuis. Já o Dortmund tinha em Alexander Frei e Roman Weidenfeller suas principais fortalezas.

O palco do jogo foi o Westfalenstadion, estádio do Borussia, na época já chamado de Signal Iduna Park por conta da venda dos naming rights realizada em 2005 para aliviar a crise financeira. O Dortmund foi a campo armado em um 4–1–3–2 com Weidenfeller; Dedê, Brzenska, Wörns, Metzelder; Kruska, Tinga (Gordon), Pienaar (Sahin), Kringe; Frei (Valdez) e Smolarek. Enquanto o Schalke utilizou o 4–3–3 com Neuer; Pander, Bordon, Krstajic, Rafinha (Larsen); Ernst, Hamil, Lincoln; Özil (Kobiashvili), Kuranyi e Asamoah (Halil).

A partida começou com o Borussia Dortmund pressionando. Aos 30 segundos a primeira oportunidade foi gerada a partir de cruzamento para Frei, que finalizou para fora. Logo em seguida, os visitantes responderam com Asamoah e posteriormente com Bordon. Os azuis-reais ainda chegariam a ameaçar a baliza dos auri-negros antes de Alexander Frei abrir o placar para sua equipe aos 44 minutos após cruzamento de Metzelder. O Schalke chegou a finalizar à meta de Weidenfeller mais vezes na segunda etapa, mas nenhum dos remates balançou as redes. Smolarek fecharia o caixão dos Mineiros aos 85 minutos após sobra de bola em chute de Metzelder, travado pela defesa adversária.

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A partida locomoveu multidões. 80.708 espectadores se fizeram presente no Signal Iduna Park, enquanto cerca de 70 mil espectadores comparecem no estádio do Schalke para ver o jogo através de telões. O triunfo do Borussia Dortmund abriu caminho para que o Stuttgart assumisse a liderança da competição ao vencer seu confronto. Na rodada final o Schalke até conseguiu vencer seu jogo, mas dependia de um tropeço dos Suábios, o que não aconteceu.

Sem muito o que festejar durante toda a temporada, restou à torcida auri-negra celebrar esta vitória sobre o rival como se fosse uma grande conquista. Afinal, impediu que fossem Deutschermeister após 49 anos de jejum.


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