Aventura em terras brasileiras: a passagem de Lothar Matthäus pelo Athletico-PR

O alemão comandou o clube paranaense por cerca de dois meses

Divulgação/Athletico
Após encerrar a carreira de jogador em 2000, no MetroStars, dos Estados Unidos, Lothar Matthäus deu inicio, no ano seguinte, à carreira de treinador. Seu primeiro trabalho foi no Rapid Wien. Lá passou 8 meses e os resultados foram aquém do esperado: 15 derrotas em 36 jogos na liga nacional, terminando na oitava colocação em um campeonato que, na época, contava com apenas 10 times — hoje são 12. Antes de assumir o Athletico, ainda trabalhou em dois lugares: Partizan Belgrado e Seleção da Hungria. O trabalho no Partizan foi muito bom, lá conquistou o Campeonato Servo-Montenegrino, e por conta disso chegou na Seleção Húngara, onde não alcançou o objetivo estipulado pela Federação: levar o país para Copa do Mundo de 2006, e foi demitido. No período que ficou sem trabalhar chegou a negociar com equipes de pequena expressão de Escócia e Alemanha, mas não acertou com nenhuma.

Em 2006, foi trazido ao Brasil pela empresa que administrava sua carreira, a Stellar Group, para conhecer o escritório que seria aberto em São Paulo. Estando aqui, e desempregado, logo manifestou o interesse de conhecer estruturas dos clubes do país. Na passagem por Curitiba, onde foi levado pra visitar o Estádio e CT do Athletico, foi convidado para um jantar pelos diretores do clube — onde recebeu a oferta para treinar a equipe. Com o avanço das negociações, foi oficialmente anunciado em 28 de janeiro.

Em questão financeira e exposição de marca, o CAP ganhou muito, por conta do forte nome que tem o ex-jogador. A contratação gerou muita empolgação para os torcedores, que o recepcionaram com mosaico da bandeira da Alemanha.

Reuters
No jogo da sua estreia, venceu o Cianorte por 4 a 3, em partida válida pela 7ª rodada do primeiro turno do Campeonato Paranaense. Ao todo, foram 8 jogos, 6 vitórias e 2 empates durante a passagem pelo clube. O alemão deixou o cargo devido a problemas com sua mulher, que morava na Hungria e recusou-se a vir para o Brasil. Há relatos de que Lothar teria sido pressionado por sua esposa para deixar o cargo após suposto caso de traição. 2 anos depois, o casamento teve seu fim.

Sobretudo sua passagem ficou marcada por diversas encrencas. A primeira em Foz do Iguaçu — cidade com fronteiras para Argentina e Paraguai , onde foi retirar seu visto de trabalho. Lá teve problemas com o tradutor cedido pelo Athletico, que queria ir ao Paraguai fazer compras, o que deixou Lothar irritado e resultou na demissão do empregado após pedido do alemão. O Terminator também teve problemas com bandeirinha¹ e fotógrafo² e como dito antes, com sua esposa.

¹Em jogo válido pela 6ª rodada do segundo turno do Campeonato Paranaense, ofendeu — em inglês — um dos bandeirinhas da partida contra o J. Malucelli, ofensas estas que foram registradas em súmula pelo árbitro e que renderam 30 jogos de suspensão ao alemão, após julgamento. Por efeito suspensivo, não cumpriu a pena. ²Foi agredido no saguão do hotel onde morava após discussão com fotógrafo.

Em 2013, em entrevista ao Globo Esporte, Lothar confessou ter se arrependido de deixar o Athletico e que se pudesse mudar algo em sua carreira, seria isto. Também pediu desculpas à torcida atleticana, alegando não ter sido correto. Após deixar o clube paranaense, ainda trabalhou no Red Bull Salzburg, da Áustria, onde foi campeão nacional, Maccabi Netanya, de Israel, e na Seleção da Bulgária. Hoje é comentarista da Sky Sports Germany.

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