Aventura em terras brasileiras: a passagem de Lothar Matthäus pelo Athletico-PR

Há 14 anos, o ex-meia alemão comandou o clube paranaense por cerca de dois meses

(Divulgação/Athletico)
Após encerrar a carreira de jogador em 2000, no MetroStars, dos Estados Unidos, Lothar Matthäus deu inicio, no ano seguinte, a uma nova carreira: a de treinador. Seu primeiro trabalho foi no Rapid Wien, da Áustria; lá passou 8 meses e os resultados foram aquém do esperado: 15 derrotas em 36 jogos na Liga Nacional, terminando na oitava colocação em um campeonato que na época, contava com apenas 10 times — hoje são 12. Antes de assumir o CAP, ainda trabalhou em dois lugares: Partizan, da Sérvia e Seleção da Hungria. O trabalho no Partizan foi muito bom, lá conquistou o Campeonato Servo-Montenegrino, e por conta disto chegou à Seleção Húngara, onde não alcançou o objetivo estipulado pela Federação: levar o país para Copa do Mundo de 2006. No período que ficou sem trabalhar, após deixar a Hungria, chegou a negociar com equipes de pequena expressão de Escócia e Alemanha, mas não acertou com nenhuma…

Mas a questão é: como ele veio parar no Brasil? Confira a seguir!

(Divulgação/Athletico)
Em 2006, foi trazido ao Brasil pela empresa que administrava sua carreira, a inglesa Stellar Group, para conhecer o escritório que seria aberto em São Paulo. Estando aqui, e desempregado, logo manifestou o interesse de conhecer estrutura dos clubes do país. Na passagem por Curitiba, onde foi levado para visitar o Estádio e CT do Athletico, foi convidado para um jantar pelos diretores do clube — onde recebeu a oferta para treinar a equipe, pelo diretor de marketing do Furacão. Com o avanço das negociações, foi oficialmente anunciado no dia 28 de janeiro daquele ano. 

Em questão financeira e exposição da marca, o CAP ganhou muito, por conta do forte nome que tem o ex-jogador. A contratação gerou muita empolgação para os torcedores, que o recepcionaram com mosaico da bandeira da Alemanha

(Reuters)
No jogo da sua estreia, venceu o Cianorte por 4 a 3, em partida válida pela 7ª rodada do primeiro turno do Campeonato Paranaense. Ao todo, foram 8 jogos, 6 vitórias e 2 empates durante a passagem pelo clube. O alemão deixou o cargo devido a problemas com sua mulher, que morava na Hungria e recusou-se a vir para o Brasil. Há relatos de que o alemão teria sido pressionado por sua esposa, para deixar o cargo, após suposto caso de traição por parte dele. 2 anos depois, o casamento teve seu fim. 

Sobretudo sua passagem ficou marcada por diversas encrencas (novidade). A primeira em Foz do Iguaçu — cidade com fronteiras para Argentina e Paraguai — , onde foi retirar seu visto de trabalho. Lá teve problemas com o tradutor cedido pelo Athletico, que queria ir ao Paraguai fazer compras, o que deixou Lothar irritado e resultou na demissão do empregado após pedido do alemão. O tradutor por sua vez, acionou o clube na justiça do trabalho. O 'Terminatortambém teve problemas com: bandeirinha¹ e fotógrafo² e como dito antes, com sua esposa. 

¹Em jogo válido pela 6ª rodada do segundo turno do Campeonato Paranaense, ofendeu — em inglês — um dos bandeirinhas da partida contra o J. Malucelli, ofensas estas que foram registradas em súmula pelo árbitro e que renderam ao alemão 30 jogos de suspensão após julgamento, a qual não teve de cumprir por efeito suspensivo. ²Foi agredido no saguão do hotel onde morava, após discussão com fotógrafo. 

Em 2013, em entrevista ao GE, Lothar confessou ter se arrependido da decisão de ter deixado o Athletico e que se pudesse mudar algo na sua carreira, seria isto, e pediu desculpas à torcida atleticana, alegando não ter sido correto. Após deixar o Athletico Paranaense, ainda trabalhou no Red Bull Salzburg, da Áustria, onde foi campeão nacional; Maccabi Netanya, de Israel; e na Seleção da Bulgária. Hoje é comentarista da Sky Sports Germany.

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