Três anos depois, como andam os campeões mundiais?

A campanha decepcionante da Alemanha na Copa do Mundo de 2026 voltou a levantar dúvidas sobre o futuro da Seleção e do futebol alemão. Debates sobre a necessidade de reformular o elenco, bem como a reavaliação do processo de formação de jogadores surgiram, embora nem sempre coerentes com o que se observa na realidade — de qualquer forma, três campanhas consecutivas performando abaixo das expectativas da DFB e do público em geral são capazes de suscitar mudanças.

Os resultados recentes do país em torneios internacionais de base são bem variados: a Alemanha Sub-19 acabou de ser finalista na Euro, por exemplo, derrotada pela Espanha na segunda semana de Julho. No entanto, a campanha na Copa do Mundo Sub-17 em 2025 foi frustrante, com eliminação precoce para Burkina Faso.

Voltando um pouco mais no tempo, a Alemanha sagrou-se campeã da Euro Sub-17 em 2023 e, pela primeira vez na história, repetiu o feito na Copa do Mundo da categoria — quase três anos depois, deveria ser tempo suficiente para observamos o impacto daquela campanha no futebol profissional. 

Alemanha campeã mundial sub-17, em 2023 — Foto: Adek Berry/Getty Images

Desde então, como os principais jogadores daquele elenco se desenvolveram? Vejamos na lista abaixo.

Lista dos campeões mundiais sub-17 em 2023

O goleiro principal daquela campanha era Max Schmitt. Formado nas categorias de base do FC Bayern, ele permaneceu na equipe B dos Bávaros até ser emprestado ao SSV Ulm na última temporada — por lá, fez uma sequência de 10 partidas como titular de janeiro até março, mas foi reserva em boa parte do tempo. Voltou ao Gigante da Baviera e foi negociado em definitivo com o Jahn Regensburg, da 3. Liga.

Titular nos dois últimos jogos da Copa do Mundo por conta da lesão de Schmitt, Konstatin Heide roubou os holofotes ao ser absolutamente decisivo para o título mundial da Alemanha, defendendo duas cobranças de pênalti na semifinal e repetindo a dose na grande decisão. Apesar do perfil menos badalado em relação ao seu companheiro de posição, somou bem mais experiência como profissional, uma vez que assumiu a meta do Unterhaching durante um largo período na temporada 24/25. Ao final dessa campanha, transferiu-se ao Hertha Berlin, clube pelo qual ainda não atuou.

Konstantin Heide com a camisa do Unterhaching, em jogo da 3. Liga — Foto: Leonhard Simon/Getty Images

O lateral esquerdo Algumera Kabar continua no Borussia Dortmund até hoje, mas suas oportunidades como jogador do elenco profissional são bem limitadas: das 20 aparições como profissional que realizou, 14 foram pela Borussia Dortmund II, na terceira divisão da Alemanha. Atualmente, não parece que esse cenário seja muito diferente para a próxima temporada.

Eric Moreira, na ala direita, foi um dos grandes destaques daquela campanha, mas pagou o preço por um movimento de carreira que tem se provado precipitado. O lateral deixou o FC St. Pauli rumo à Premier League meses após o término do Mundial e nunca realmente recebeu oportunidades no Nottingham Forest. Um empréstimo ao Rio Ave também não foi bem sucedido e Moreira segue atuando principalmente pela equipe de base dos ingleses, aos 20 anos.

Maximilian Hennig viveu um cenário oposto: o lateral esquerdo foi emprestado duas vezes pelo FC Bayern e aproveitou bem as duas temporadas para acumular experiência em um nível superior ao que tinha atuado até então. Hennig foi um titular regular pelo Unterhaching na terceira divisão da Alemanha e depois repetiu o feito a serviço do TSV Hartberg, na Bundesliga austríaca: em sua última temporada, marcou um gol e distribuiu cinco assistências! Ele deve ser negociado pelo FC Bayern nesta janela, no entanto: rumores indicam uma saída para o futebol português ou para a segunda divisão alemã.

Maximilian Hennig em partida da Alemanha — Foto: Eric Alonso/Getty Images

Assim como Eric Moreira, o zagueiro David Odogu optou por uma transferência que, até então, não rendeu frutos ao seu desenvolvimento como profissional. Seus primeiros minutos como profissional aconteceram na reta final da temporada 24/25, com a camisa do VfL Wolfsburg, e ele rapidamente foi negociado ao AC Milan, da Itália. A primeira temporada em solo italiano foi praticamente inexistente: Odogu atuou em apenas três partidas, somando 16 minutos.

Um dos grandes casos de sucesso desse elenco é Finn Jeltsch. Capitão da equipe sub-19 do FC Nürnberg à época, o zagueiro cavou seu espaço na equipe principal do Glorioso logo depois que retornou do Mundial, rapidamente firmando-se como titular em uma liga competitiva como a 2. Bundesliga. O desempenho do jovem defensor não passou despercebido e ele foi contratado pelo VfB Stuttgart, ganhando experiência internacional (UEFA Europa League) e figurando constantemente em partidas da Bundesliga. Hoje, é um nome forte para fazer parte do novo ciclo da Seleção Alemã principal.

Finn Jeltsch em partida da Bundesliga — Foto: Alex Grimm/Getty Images

O meio-campista Assan Ouédraogo não foi muito impactante na Copa do Mundo Sub-17, uma vez que lesionou-se na fase de grupos e não atuou mais pela Alemanha no torneio, mas estava presente no elenco. Tido como uma das grandes promessas da geração alemã, ele confirmou seu potencial sempre que esteve em campo, porém sua curta carreira é marcada por uma sucessão de lesões. Ainda assim, Ouédraogo transferiu-se do Schalke 04 (à época, na segunda divisão) para o RB Leipzig, rendeu bem na Bundesliga e foi inclusive chamado por Julian Nagelsmann para a Copa do Mundo principal, substituindo o lesionado Lennart Karl.

Capitão da equipe sub-17, Noah Darvich realizou uma transferência badalada ao deixar o SC Freiburg rumo ao FC Barcelona na sequência do título mundial. Na Espanha, atuou principalmente pela equipe reserva do clube catalão, na terceira divisão local, até que o VfB Stuttgart decidiu trazê-lo de volta para a Alemanha, na temporada passada. O cenário nos Suábios se repetiu: Darvich esteve próximo da equipe principal em algumas oportunidades, mas entrou em campo apenas pelo time B, também na terceira divisão. Para dar procedimento ao seu desenvolvimento, o VfB emprestou o jogador ao SV Elversberg e poderemos ver Darvich em campo na próxima Bundesliga.

Estrela principal da Alemanha na época, Paris Brunner viveu momentos conturbados no Borussia Dortmund. O extremo/atacante esteve envolvido em alguns casos de indisciplina que levaram o clube a frear suas aparições pelo profissional e repensar a renovação de contrato — no fim das contas, acabou negociado por 4 milhões de euros com o AS Monaco, que o emprestou imediatamente para o Cercle Brugge. Foi na Bélgica que Brunner deu seus primeiros passos como jogador profissional e, ainda que inconsistente, mostrou alguns lampejos da veia goleadora que sempre o acompanhou nas categorias de base: ele marcou seis gols em pouco mais de 1000 minutos disputados. Posteriormente, disputou a temporada 25/26 pelo próprio AS Monaco, mas quase não entrou em campo mais.

Brunner marcou seu primeiro gol profissional pelo Cercle Brugge — Foto: Jurij Kodrun/Getty Images

Charles Hermann seguiu os passos de Brunner e deixou o Borussia Dortmund em busca de mais minutos como profissional: a opção do jogador foi o Borussia Mönchengladbach. A participação dele nos Potros, no entanto, esteve limitada a Regionalliga, onde marcou três gols e distribuiu oito assistências ao longo de uma temporada e meia. Coincidentemente, foi vendido ao Cercle Brugge em fevereiro de 2026, mesmo clube que seu ex-colega Paris Brunner esteve (uma temporada antes). Por enquanto, o jogador segue sem muito impacto no futebol profissional.

Camisa nove da Alemanha, Max Moerstedt segue no TSG Hoffenheim até hoje. O atacante fez sua estreia na Bundesliga durante a temporada 23/24 e foi ganhando tempo de jogo importante na equipe principal: 11', 993' e 425' respectivamente, por temporada. Somando todas as competições profissionais, ele marcou cinco gols pelo clube de Sinsheim e é tido como um jogador bastante promissor no cenário alemão. A existência de um calendário mais amplo, com a disputa da UEFA Europa League, pode significar ainda mais minutos para o jovem na próxima temporada.

Max Moerstedt marca um gol pelo TSG Hoffenheim na Bundesliga — Foto: Alex Grimm/Getty Images

Reserva imediato de Moerstedt na Alemanha, Robert Ramsak deixou o FC Bayern ao fim de seu contrato, assinando com o RB Leipzig, um movimento que parecia promissor para acelerar sua presença como jogador profissional. A realidade, entretanto, é que ele não conseguiu atuar pelo Touros e foi emprestado para dois clube diferentes da segunda divisão, que também não lhe ofertaram minutos relevantes. A temporada 24/25 ficou marcada por exibições na categoria sub-19 da Bundesliga e a seguinte por empréstimos para Eintracht Braunschweig (encerrado precocemente, fez 59' na 2. Bundesliga) e SV Sandhausen (600' na Regionalliga). De volta ao RB Leipzig, seu futuro ainda não foi definido nesta janela.