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Eliminação precoce da Alemanha marca o fim de uma geração

Alemanha decepciona pela terceira Copa do Mundo consecutiva

A Seleção Alemã foi da euforia à frustração nos Estados Unidos: depois da goleada na estreia contra Curaçao por um placar que remete aos bons tempos da Alemanha, uma sequência de jogos ruins culminou na eliminação diante do Paraguai, já na primeira fase eliminatória da Copa do Mundo. O resultado é um novo baque para uma geração que coleciona campanhas decepcionantes no maior palco do futebol e fez história de maneira negativa: pela primeira vez, o país saiu derrotado em uma disputa de pênaltis na Copa do Mundo.

Alemães deixam o campo decepcionados após eliminação na Copa do Mundo — Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

A última grande campanha alemã em uma Copa do Mundo aconteceu em 2014, no Brasil. O tetracampeonato mundial, com direito a uma goleada histórica contra os anfitriões por 7 a 1 e vitória sobre a Argentina de Lionel Messi na final, representa a imagem de uma Alemanha que já não existe mais. Desde então, são duas eliminações seguidas na fase de grupos da Copa do Mundo e uma derrota nos 16 avos de final com o status de ampla favorita. Nesse período, uma semifinal foi o melhor posto da Alemanha em Eurocopas e os resultados finais nas múltiplas edições da Liga das Nações também foram frustrantes.

UMA GERAÇÃO INCAPAZ DE MANTER O LEGADO VITORIOSO

Joshua Kimmich talvez seja a principal figura dessa geração, nascida próxima aos anos 1995 e 1996. Indubitavelmente talentoso e dentre os melhores jogadores do planeta, ele representa um grupo de jogadores que, apesar de tudo que demonstraram nos seus clubes, nunca foram capazes de transpor os resultados positivos para a Seleção Alemã.

A renovação do elenco tem acontecido naturalmente e a Copa do Mundo de 2026 pode ter sido a última chance para um grupo de jogadores que formou a espinha dorsal da equipe por muito tempo se provar mundialmente. Excluindo Manuel Neuer, campeão em 2014, os jogadores mais experientes da convocação (por número de jogos pela seleção principal), são Kimmich, Rüdiger, Goretzka e Sané: os três primeiros estiveram presentes nos fracassos em 2018 e 2022, enquanto que Sané fez parte apenas do Mundial no Qatar, em 2022. Cotada para suceder os campeões mundiais de 2014, a geração decepcionou tanto que vários nomes nem sequer foram convocados para esta edição da Copa: é o caso de Niklas Süle, Julian Brandt e Timo Werner, por exemplo. Serge Gnabry estaria na lista final, mas foi cortado por lesão. Dentre todos esses nomes, há um possibilidade enorme de que Kimmich seja o único a continuar vestindo a camisa da Alemanha nos próximos torneios.

Goretkza, Selke, Sané, Kimmich e Brandt em jogo da Alemanha Sub-21, em 2017 — Foto: Dennis Grombkowski/Getty Images

Kimmich nunca escondeu a frustração pela falta de uma campanha vitoriosa pela Alemanha e, apesar de finalmente ter superado a fase de grupos, voltará da Copa do Mundo irritado mais uma vez. Capitão pela primeira vez em um grande torneio, o volante do FC Bayern falou abertamente sobre como o desempenho da equipe deixou a desejar em todas as partidas da Copa, a eliminação precoce foi merecida e ele não vai desistir.

Quando criança, sempre vi a Alemanha alcançando semifinais e finais. Não conseguimos dar isso para as pessoas assistindo em casa. As pessoas na Alemanha precisam de algo para se orgulhar no momento, mas infelizmente não será a Seleção Nacional. Nós, os jogadores em campo, falhamos e assumimos a responsabilidade. Não foram o treinador, a mídia, o árbitro ou o oponente. Nós é que falhamos. Não vou me aposentar da Seleção, sempre estarei disposto a tentar novamente; o que nunca farei é desistir. 

Leon Goretzka, jogador que teve sua convocação questionada por torcedores e imprensa, foi reserva durante a Copa, porém ganhou minutos saindo no banco, inclusive na partida que decretou a eliminação alemã. A participação dela nesta edição da Copa acaba marcada por uma situação na disputa de pênaltis: apesar de ser dos jogadores mais experientes, pareceu não sentir-se confortável para cobrar um pênalti, quando questionado pelo capitão. Jonathan Tah assumiu a responsabilidade, mesmo sem nunca ter cobrado uma penalidade máxima em sua carreira profissional, e acabou desperdiçando sua chance.

Kimmich conversa com Goretzka durante a disputa por pênaltis — Reprodução: Cazé TV

NOVATOS FALHARAM AO ASSUMIR A RESPONSABILIDADE

A mescla entre renovação e experiência significava espaço para novas referências surgirem no elenco alemão. Nesse contexto, esperava-se principalmente que Jamal Musiala e Florian Wirtz assumissem maior protagonismo dentro de campo — infelizmente, não foi o que aconteceu. Entendendo que os dois jovens meias vêm de temporadas conturbadas (Musiala retornando de uma lesão gravíssima e Wirtz atuando em uma equipe disfuncional), o ambiente da Seleção oferecia um mais cenário propício para que os dois demonstrassem todo seu potencial e conduzissem o setor ofensivo da Alemanha, afinal já se provaram como dois dos melhores meia do planeta em outras oportunidades.

Florian Wirtz encerrou a Copa do Mundo com três assistências (incluindo o cruzamento para Kai Havertz marcar o gol de empate contra o Paraguai), mas ainda esteve longe de ser uma presença influente no ataque da Alemanha, distante de seus melhores momentos no Bayer Leverkusen. Jamal Musiala, desde que retornou da grave lesão sofrida no Mundial de Clubes, tem sofrido para encontrar consistência em seu jogo, algo que pode ser atribuído ao longo tempo parado, confiança e falta de ritmo de jogo. Aos 23 anos de idade, parece certo dizer que ambos terão um papel importante no futuro da Alemanha em campo, porém precisam entregar mais com a camisa da Alemanha, especialmente nos grandes palcos do futebol.

Wirtz e Musiala se cumprimentam em jogo pela Alemanha — Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

O FUTURO DA SELEÇÃO

Poucos dias depois da eliminação traumática, o futuro é logicamente incerto. O desempenho da Alemanha em campo e algumas das escolhas de Julian Nagelsmann geram questionamentos a respeito de sua continuidade no cargo, embora ele tenha se mostrado disposto a seguir até o fim de seu contrato (2028). O treinador reconheceu não ter controle sobre tudo, mas afirmou estar preparado para preparar a equipe para a próxima Eurocopa.

Rudi Völler saiu em defesa do treinador Julian Nagelsmann, mas também lembrou que não toma decisões sozinho.

Ele ainda é um treinador de elite. Ele vai se recuperar depois de uma derrota dolorosa como essa e voltar pronto para tentar novamente. Eu sei que muitas pessoas não vão entender depois que fomos eliminados dessa forma, mas ainda estou convencido de que Nagelsmann é a pessoa certa para continuar. No entanto, não sou a DFB e não é uma decisão apenas minha.

Bernd Neuendorf, presidente da DFB, emitiu um comunicado oficial a respeito, sem confirmar qualquer decisão neste momento.

Depois dessa eliminação amarga contra o Paraguai e nossa eliminação da Copa do Mundo, sentei para conversar e tive uma discussão extensa com o treinador Julian Nagelsmann, Andreas Rettig e Rudi Völler. Todos concordamos que nossa performance na Copa do Mundo esteve abaixo do esperado. Nos próximos dias, vamos avaliar minuciosamente as razões pelas quais a equipe não foi capaz de realizar seu potencial e falhou ao atender nossas expectativas e aquelas do futebol alemão. Diante de um revés duro como esse, não podemos e não iremos continuar como se nada tivesse acontecido. 

As especulações para o futuro já começaram e, apesar do desejo de Nagelsmann pela permanência, Jürgen Klopp volta a soar como um nome possível para assumir o comando da Seleção Alemã. Questionado sobre o tema, Klopp, que trabalhou para uma rede de televisão nessa Copa do Mundo, desconversou.

Ainda não pensei sobre essa possibilidade. Entendo que meu nome esteja sendo falado neste momento, mas não é a hora de falar sobre isso.

Considerando a possibilidade de que Klopp esteja realmente disposto a retornar à área técnica (e os primeiros rumores indicam que sim), certamente não existe nenhum nome mais capaz do que ele para devolver a Alemanha aos tempos de glória. Seja sob o comando de Nagelsmann, Klopp ou qualquer outro treinador, esperamos que o futuro da Nationalelf seja motivo de orgulho e os torcedores voltem a viver momentos como aqueles no Brasil, 12 anos atrás. 

Jürgen Klopp em partida de estreia da Alemanha na Copa do Mundo — Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

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