Imke Wübbenhorst, a pioneira técnica no futebol masculino alemão

dpa
No final de 2018, Imke Wübbenhorst se tornou a primeira mulher a comandar um clube masculino, das cinco principais divisões do país, ao assumir o Cloppenburg, onde ficou seis meses e fez 12 jogos. Agora dá as ordens no Sportfreunde Lotte, da quarta divisão. Aquele Lotte que eliminou Bayer Leverkusen e Werder Bremen e caiu diante o Borussia Dortmund, que seria campeão, nas quartas de final na DFB-Pokal de 2016/17.

Para chegar ao cargo, sacrificou muito, largou seu apartamento e seu emprego como pedagoga em Cloppenburg, vendeu móveis e utensílios para juntar os 15 mil euros necessários para bancar o curso de formação de técnicos da Federação Alemã de Futebol, o qual concluiu recentemente, ficando apenas com seus itens pessoais. Seu cachorro, um dálmata chamado Bailar, teve de deixar com seus pais, que moram no distrito de Aurich, na Baixa-Saxônia. 

Passou o ano de curso hospedada em casas de amigos para ir em busca do seu sonho, que é comandar um clube. Ao WELT, disse que desistiria de tudo para que isso fosse possível e foi o que fez. 

Imke é formada em Educação Física e Biologia do esporte e, também, ex-jogadora. Durante os anos como atleta, chegou a atuar nas categorias de base da Seleção Alemã e no Hamburgo. Antes de assumir o time masculino do Cloppenburg, atuava como jogadora-auxiliar técnica na equipe feminina do mesmo clube.

Desde maio, está à frente do SF Lotte, onde tem contrato até junho de 2022. Antes de assumir o time, fez estágios no RB Leipzig com Julian Nagelsmann, Heracles Almelo e West Ham. 

Ela é, apenas, a segunda mulher a dirigir um clube masculino das quatro principais divisões - Inka Grings, histórica atacante da DFB-Frauen foi a primeira, em 2019, quando comandou o SV Straelen em 7 jogos e terminou rebaixada à quinta divisão. Inka seguiu no clube até o final de junho deste ano, quando pediu demissão, após recolocar o clube no quarto nível.


Quando contratada, o chefe do Departamento de Futebol do SF Lotte, Daniel Körber, deu uma importante fala: "Foi um processo neutro em termos de gênero. Estamos em 2020".

Não é tarefa fácil comandar um clube e, para mulheres, é ainda mais difícil por tudo que vem em seguida: estereótipos, perguntas maldosas, desconfiança em seus trabalhos por conta do gênero e por aí vai. 

"Geralmente, possuo respostas na ponta da língua para perguntas mal intencionadas", disse Imke em entrevista. 

Ainda quando comandava o Cloppenburg, recebeu o prêmio "Citação de Futebol do Ano" graças a uma resposta que deu em coletiva quando perguntada se, antes de entrar no vestiário, avisava aos jogadores para colocarem seus shorts. 

"Claro que não. Sou profissional; escolho quem joga de acordo com o tamanho de seus pênis" foi a resposta dada por Imke. 

Imke está empolgada com o novo desafio e espera poder recolocar o clube no terceiro escalão do futebol masculino alemão, do qual caiu em 2019. Para isso, terá de superar diversos obstáculos, sendo o maior deles, o machismo estrutural do futebol.

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