Europa em tom azul-real: a maior glória internacional do Schalke 04

O caminho até a conquista da Copa UEFA, em 1997, reservou grandes desafios aos Mineiros

Huub Stevens e Rudi Assauer, o manager do clube, com o troféu da Copa UEFA (Divulgação/Schalke 04)

A década de 80 e o início dos anos 90 não foram nem um pouco afáveis com o Schalke 04. Durante o período, os azuis-reais viveram o pior momento de sua história: três rebaixamentos para segunda divisão e acúmulo de campanhas fracas nas competições de elite. Na última queda, foram três tortuosos anos disputando a segundona alemã, do descenso em 1988 ao acesso apenas em 1991.

De 88 a 1996, foram oito treinadores diferentes que estiveram à beira do gramado, em algum momento, instruindo os Mineiros. De Horst Franz ao lendário Udo Lattek até passar por Jörg Berger e chegar a Huub Stevens.

Berger vinha de algumas boas campanhas, outras nem tanto, por Eintracht Frankfurt e Colônia. O alemão assumiu o cargo deixado por Helmut Schulte em outubro de 1993. A sua primeira temporada ficou marcada por uma incessante luta contra o rebaixamento até as últimas rodadas. Ainda sim, foi mantido.

A chegada de reforços importantes foi sucedida por melhores desempenhos na liga e também na DFB-Pokal em 1994/95. Radoslov Latal, por empréstimo, e a repatriação de Olaf Thon — tinha sido vendido em 88 — foram os principais acréscimos. Thon não foi tão brilhante a primeiro momento, enquanto Latal teve grande influência na campanha do 11.º lugar na Bundesliga. Na Pokal, os comandados de Berger alcançaram um lugar entre os oito melhores do torneio ao caírem diante o Borussia Mönchengladbach, que seria campeão — o melhor resultado em nove anos.

O melhor momento da “Era Berger” foi vivido em 95/96. A chegada do atacante Martin Max foi um dos fatores que colaboraram para que isso acontecesse — além dele, outros 6 jogadores e Latal, em definitivo, foram contratados ao decorrer das janelas de transferências. A solidez defensiva aliada a efetividade de Max, Youri Mulder e Ingo Anderbrügge fizeram com que a briga fosse na parte de cima e não mais meio da tabela. No fim das contas, o Schalke terminou em terceiro lugar, acertando seu retorno às competições europeias após dezenove anos.


1996–97: de começo ruim ao pódio na Europa

Na janela de verão, dois jogadores que seriam extremamente importantes para conquista da Copa UEFA desembarcaram na Alemanha rumo a Gelsenkirchen: Marc Wilmots e Johan de Kock.

O Schalke abriu a temporada vencendo o pequenino Ulm, pela primeira fase da Copa da Alemanha, por dois a zero. Na sequência vieram as primeiras cinco rodadas da Bundesliga e a estreia na Copa UEFA, contra o Roda JC-NER. O início na liga foi exatamente o oposto do que se esperava: três empates, uma humilhante derrota por 4–0 para o Stuttgart na abertura do campeonato e uma vitória.

Ao passar da tempestade na Bundesliga, veio a calmaria na Copa UEFA. Wilmots, Mulder e Anderbrügge trataram de marcar um gol cada e pôr o Schalke com larga vantagem para o segundo jogo (não havia disputa de fase de grupos) com os neerlandeses do Roda JC. No espaço de tempo até a partida da volta, ocorreram mais dois duelos pela Bundesliga, contra Bayern e Arminia Bielefeld; os Mineiros conseguiram somar quatro pontos. Um empate por 2 a 2 nos Países Baixos garantiu a classificação dos azuis-reais para segunda fase, onde teriam de enfrentar o Trabzonspor-TUR.

Confrontos com Bayer Leverkusen e Bochum por Bundesliga e DFB-Pokal vieram logo em seguida e culminaram nas últimas instruções de Berger como treinador dos azuis-reais. Em nenhum dos jogos, o céu foi alcançado, ao invés disso, o inferno foi onde estivera o Schalke. Para o Bayer, derrota por 2 a 1, de virada. Contra o Bochum, novo revés, agora por 3 a 2. Jörg não resistiu à queda na Copa. Sua saída foi anunciada em 3 de outubro de 96.

Huub Stevens chegou para tentar botar ordem na casa menos de uma semana depois. Ainda que estivesse apenas no início do que viria a ser uma grandiosa carreira, o neerlandês já era familiar para o torcedor: era ele quem dava as ordens no Roda JC, que fora eliminado há pouco tempo pelo clube que agora dirigiria.

A estreia de Huub passou bem longe de ser satisfatória (derrota por 3 a 0 para o Werder Bremen), mas não havia tempo para lamentar, o próximo compromisso era justamente contra o Trabzonspor pela Copa UEFA. Tal como na fase inicial, a primeira mão foi disputada no Sportpark (antecessor da VELTINS-Arena), a casa do Schalke. A vitória veio, magra, mas veio: 1 a 0 com gol de Martin Max aos 76 minutos. Inúmeras chances desperdiçadas e um pênalti (toque com o braço) não assinalado impediram os comandados de Stevens de levarem placar maior para o confronto decisivo.

Lá na Turquia, uma semana depois, cenário diferente do visto na Alemanha. No primeiro tempo, o Schalke conseguiu achar dois gols em bolas paradas e foi ao intervalo com vantagem enorme e confortável. Na segunda etapa, o Trabzonspor emplacou uma enorme reação e chegou a virar o jogo aos 71 minutos — e isso só aconteceu por grande contribuição da defesa alemã, especialmente de Jens Lehmann que conseguiu falhar em dois dos três gols. Por sorte, Martin Max jogaria um balde de água fria nos turcos ao empatar e definir para o Schalke dois minutos após a reviravolta no placar. Novamente em lance originado de bola parada. Pela frente, oitavas de final contra o Club Brugge-BEL de Mario Stanić.

Contra a equipe belga, os Mineiros tiveram o privilégio de decidir a eliminatória nos seus domínios. O primeiro jogo na Bélgica foi duro, debaixo de muita neve, os alemães acabaram sendo derrotados por 2 a 1. Na Alemanha, o fator casa e o tento marcado no campo do adversário premiaram o Schalke. 46 mil pessoas empurraram os jogadores para vitória. Com 10 minutos, os donos da casa já venciam por 1 a 0 — o resultado já era suficiente para classificação. As redes só voltariam a balançar nos instantes finais da partida com Mulder. O neerlandês soube aproveitar a cochilada da defesa rival e botou a bola entre as pernas do goleiro Dany Verlinden com bonito cabeceio. Ao apito final, as arquibancadas do Sportpark inflamaram-se totalmente. O sonho seguia vivo. O Valencia de Jorge Valdano, vice-campeão espanhol em 95/96, viria a ser o rival nas quartas de final.

Até o primeiro duelo das quartas, foram três longos meses de espera. O Valencia vinha de uma maratona de jogos, enquanto os Mineiros estavam mais descansados, só tiveram quatro encontros até a data da ida, o Valencia, por outro lado, teve doze. 

A primeira mão no Sportpark acabou em 2 a 0 para os donos da casa, Thomas Linke e Wilmots foram os responsáveis por estufar as redes de Jorge Bartual. A decisão no Mestalla terminou em um singelo empate por 1 a 1. Os espanhóis até chegaram a ameaçar a meta de Lehmann algumas vezes, mas esbarraram no próprio na maioria delas. Pouco menos de um mês depois, o Schalke teria de voltar à Espanha para medir forças com o Tenerife de Jupp Heynckes, surpresa da temporada europeia. Na outra chave, estavam a Inter de Milão de Pagliuca e Zanetti e o Monaco de Sonny Anderson e Petit, que ainda contava com um jovem Thierry Henry ascendendo. 

Absolutamente tudo deu errado no primeiro jogo contra o Tenerife. Tudo mesmo. Aos cinco minutos, os Canários já tinham um a zero a seu favor por conta de um pênalti bem imbecil feito pelo capitão do Schalke, Olaf Thon. Mais tarde, o Tenerife viria a ter dois jogadores expulsos, mas de nada adiantaria para os visitantes, que ainda se deram o luxo de desperdiçar um penal. 

Thon teve sua redenção na segunda mão. O camisa 10 deu as duas assistências dos gols que carimbaram o passaporte à final. Nada do que fizeram os jogadores na primeira etapa deu certo. A história só começou a mudar aos 68 minutos quando Linke subiu mais alto que todo mundo em cobrança de escanteio para testar a bola e balançar as redes. Com o agregado igual, se fez necessário jogar prorrogação. O tempo extra reservou para Marc Wilmots o posto de herói. O meia belga marcou o gol da classificação aos 107 minutos.

Wilmots cabeceia e marca o gol da classificação (Getty)
Pela primeira vez, Gelsenkirchen veria o Schalke jogar uma final internacional. O adversário não poderia ser outro senão a Inter de Milão, favorita à conquista desde o início do torneio. O caminho da Inter até a decisão foi relativamente fácil: Guingamp-FRA; Grazer AK-AUS; Boa Vista-POR; Anderlecht-BEL; Monaco-FRA. O Grazer foi quem mais causou problemas para os Nerazzurri — a classificação só veio em penalidades. Como a final à época era disputada em duas mãos, os italianos receberam o direito de decidir em casa por possuírem campanha melhor.

Huub Stevens não promoveu nenhuma mudança para o jogo. Já o inglês Roy Hodgson, técnico da Inter, teve que mexer: saíram Paul Ince, Jocelyn Angloma e Youri Djorkaeff, suspensos, entraram Fabio Galante, Alessandro Pistone e Iván Zamorano, que era um dos principais jogadores do clube, mas não fazia boa temporada.

Pouco mais de 56 mil espectadores foram ao Sportpark, em uma terça-feira à noite, ver o embate.

Huub armou sua equipe com Jens Lehmann; Thomas Linke, Olaf Thon, Johan de Kock; Yves Eigenrauch, Ingo Anderbrügge, Andreas Müller, Jiri Nemec, Mike Büskens (67' Martin Max); Radoslov Latal e Marc Wilmots. (3–5–2)

Enquanto Hodgson escalou Gianluca Pagliuca; Giuseppe Bergomi, Massimo Paganin, Fabio Galante, Alessandro Pistone; Salvatore Fresi (62' Nicola Berti), Javier Zanetti, Aron Winter, Ciriaco Sforza; Maurizio Ganz e Iván Zamorano. (4–4–2)

A primeira boa jogada da Inter veio aos 4 minutos: Sforza recebeu de Bergomi pelo lado direito e tentou ligar Maurizio Ganz na pequena área. Ganz não conseguiu chegar e a posse voltou para o time da casa, que logo em seguida armou sua primeira oportunidade em boa escapada pelo lado esquerdo com Andreas Müller, Mike Büskens e Jiri Nemec, que levantou a bola para Wilmots cabecear para fora. O jogo seguiu e nenhuma nova ‘grande’ ocasião foi criada até os 25 minutos, quando Anderbrügge pegou a sobra de lançamento feito por Nemec. O alemão dominou e chutou para fora. Na sequência, o Schalke voltou a rematar à meta de Pagliuca. Wilmots recuperou próximo ao círculo central do meio-campo e após uma rápida troca de passes, a bola chegou em Anderbrügge, que novamente só dominou e chutou. A finalização não saiu com tanta força e o goleiro italiano defendeu sem dificuldades. A Inter respondeu poucos minutos depois. Pistone recebeu no corredor esquerdo e avançou à linha de fundo, onde foi travado por Latal e conseguiu um escanteio. Sforza ergueu para Zamorano, que cabeceou para trás sem tanto perigo e viu a bola sair à direita. O Schalke voltou a ameaçar novamente em remate de fora da área, e de novo a partir de interceptação mal executada pelos italianos: Büskens lançou procurando Wilmots entre os defensores e a bola foi cortada para o meio, na sobra Anderbrügge deu só um tapinha e Olaf Thon chegou para finalizar e Pagliuca defender. Logo depois, uma cobrança de falta próxima à linha final do campo gerou o que talvez tenha sido a melhor oportunidade dos Nerazzurri na etapa inicial: Sforza cobrou, passou direto por Lehmann e, se não fosse por Büskens cortar para fora, provavelmente teria entrado ou sobrado para Ganz marcar. No tiro de canto, bola direto na mão de Lehmann. O primeiro quarto da decisão seguiu e a Inter assustou, com Ganz, mais uma vez. O italiano recebeu e colocou Lehmann para trabalhar. A Inter teve outro escanteio, mas de novo só devolveu para o goleiro alemão. Alguns segundos depois, o árbitro apitou o fim dos primeiros 45 minutos.

No segundo tempo, os visitantes que começaram pressionando, mas quem inaugurou o placar foi o Schalke, aos 69 minutos: Yves Eigenrauch interceptou uma tentativa de lançamento e a sobra ficou com Marc Wilmots, que conduziu por alguns metros e soltou um balaço do meio da rua, sem chances para Pagliuca. O resultado persistiu e a vitória do Schalke foi decretada ao apito final. Duas semanas mais tarde, as equipes se reencontraram no Giuseppe Meazza (San Siro) para definição do título.

A Itália foi absolutamente tomada pelos torcedores azuis-reais. Cerca de 25 mil fãs do Schalke se fizeram presente no país. A Catedral de Milão e as ruas da cidade eram azul e branco. O mesmo se fez em Gelsenkirchen, a cidade se coloriu inteiramente com as cores do clube.

Para esta partida, Huub Stevens promoveu uma mudança: Anderbrügge saiu para entrada de Martin Max. Na Inter, saíram Galante, suspenso, e Winter, para os retornos de Djorkaeff e Ince.

No primeiro tempo, a Inter criou mais ocasiões, mas foi o Schalke que teve as melhores oportunidades de abrir a contagem. Primeiro com Wilmots em voleio, depois em cobrança de falta de Büskens, ambas finalizações exigiram que Pagliuca executasse grandes defesas para não ser vazado. O cenário foi semelhante na segunda etapa, só que desta vez a Inter conseguiu chegar ao gol na melhor chance que teve. A cinco minutos do fim, Pistone cobrou um lateral na área, que contou com toque de Ince para trás, chegando a Zamorano, que por sua vez desviou e marcou. Os azuis-reais até tentaram esboçar uma reação nos instantes finais, mas não deu certo. O máximo que conseguiram foi fazer com que Fresi fosse expulso. O italiano deu forte e desnecessária entrada (a bola estava na metade do campo) em Martin Max, aos 90 minutos, e levou o segundo cartão amarelo, tendo de ir para o vestiário mais cedo que os companheiros. A partida seguiu para prorrogação.

A primeira metade do tempo extra foi burocrática, nenhuma grande chance foi criada dos dois lados. A única movimentação que houve mesmo foi à beira do gramado para entrada de Anderbrügge no lugar de Müller. A Inter esteve a centímetros da glória nos quinze minutos derradeiros, isto porque o travessão do gol defendido por Lehmann evitou que Ganz marcasse ao encobrir o arqueiro com toque sútil no comecinho da segunda etapa. O roteiro do primeiro tempo seguiu nos minutos restantes. O placar manteve-se igual e o jogo encaminhou-se para as penalidades.

Anderbrügge largou na frente nas cobranças. O alemão chapou à meia altura no canto direito e marcou, Pagliuca chegou a acertar o lado, mas não foi capaz de impedir que fosse gol. Em seguida, Lehmann defendeu a penalidade de Zamorano. Olaf Thon e Djorkaeff marcaram para Schalke e Inter na sequência. A Aron Winter coube o papel de manter viva ou esgotar a pouca chance que os Nerazzurri tinham. Winter acabou indo pelo segundo caminho ao finalizar para fora e Marc Wilmots fechou o caixão. Bola para um lado, Pagliuca para o outro.

O San Siro tomou-se pela fumaça dos flames ligados no espaço destinado à torcida visitante. O grito orgulhoso de Meister! (campeão!), entalado por tantos anos na garganta do torcedor azul-real, foi liberto.

Marc Wilmots, em entrevista à revista Lokal Kompass, falou que não é possível descrever o que sentiu quando marcou o gol de pênalti que deu o título ao clube.

Não é possível descrever. O caminho da linha central (meio-campo) para a marca do pênalti foi longo, 80.000 espectadores assobiaram pra mim e todos sabiam que poderíamos conseguir grandes coisas para Schalke e o clube poderia se beneficiar de uma vitória a longo prazo. Mas o momento em si passa rápido demais. Infelizmente; disse.
Marc também falou que a primeira coisa que o vem à cabeça quando pensa em Huub Stevens é “o zero deve permanecer!”. Wilmots mencionou que Huub sempre falava que ‘o zero’ deveria ser mantido no placar e assim que houvesse uma oportunidade de marcar, deveria ser feito. Na Copa UEFA, especialmente nos jogos em casa, deu muito certo.

A campanha do Schalke 04 em números: 12 jogos, 7 vitórias, 3 empates e 2 derrotas; 18 gols marcados e 9 sofridos; 100% de aproveitamento e nenhum gol sofrido em casa.

Melhores momentos do 2º jogo contra a Inter

Uma semana após a conquista dos azuis-reais, era o Borussia Dortmund, o grande rival do Schalke, que jogava a vida pelo pódio na Europa contra a Juventus-ITA, em Munique; os auri-negros venceram e conquistaram sua primeira Liga dos Campeões. Infelizmente, não houve disputa entre os dois na Supercopa da UEFA — à época, o campeão da Recopa Europeia era quem enfrentava o vencedor da Champions na Supercopa.

O ano de 1997 reservou ao futebol alemão mais um histórico capítulo de sua gloriosa história. Pela segunda vez, dois times alemães levaram as duas principais competições da UEFA — em 1975, foram Bayern e Borussia Mönchengladbach que protagonizaram o feito.

Nenhum outro alemão conseguiu vencer a Copa UEFA ou Liga Europa desde então. Borussia Dortmund e Werder Bremen chegaram à final em 2002 e 2009, mas foram parados por Feyenoord-NER e Shakhtar Donetsk-UCR, respectivamente. Em 2006, o Schalke esteve próximo de voltar à decisão, mas parou diante o Sevilla-ESP, que seria o campeão, na semifinal.

Em 2017, ano que marcou 20 anos da conquista, os torcedores relembraram o título com bandeiras, que faziam referências às partidas jogadas contra Roda, Trabzonspor, Brugge, Valência e Tenerife, espalhadas pelos quatro cantos da VELTINS-Arena no último jogo como mandante pela Bundesliga 16/17. O principal espetáculo ficou por conta da Nordkurve (setor onde ficam os torcedores ultras do clube), que exibiu dois bandeirões com detalhes dos jogos da final e uma réplica do troféu em 3D. A operação foi toda custeada pelos torcedores e girou em torno de 60 mil euros.

O processo da criação e exibição do mosaico em homenagem aos Eurofighters (apelido dado aos jogadores que foram campeões) 


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