Entenda a lei dos 50+1 e o contexto dos protestos contra Dietmar Hopp


Há ainda uma considerável falta de conhecimento sobre a lei dos 50+1 e seus mecanismos, que existe no futebol alemão desde 1998 e foi criada para proteger os clubes de investimentos estrangeiros. Tema de diversos e longos debates, bem como protestos nas arquibancadas da Alemanha, a lei divide opiniões e vem tendo protagonismo em vários conflitos nos últimos anos. Explicaremos um pouco do assunto para nossos leitores.

O que é a lei dos 50+1 e como ela funciona?
Como destacado anteriormente, a lei foi criada em 1998 para proteger os clubes de investimentos estrangeiros, quando o mercado do futebol começava a se expandir em outros países europeus. Basicamente, a legislação garante que a associação, ou seja, o clube e seus associados, permaneça com 51% das ações. Os outros 49% podem ser negociados com empresas agenciadas por milionários, bilionários alemães e estrangeiros (como os sheik's árabes, por exemplo). Por possuir 51% das ações, a associação sempre terá um poder de decisão maior que a dos investidores - ao menos na teoria - o que pode impedir que uma empresa desconhecida queira alterar cores, uniformes, escudo e outras características tradicionais do clube. Há exceções na lei para quem investe em um clube há mais de 20 anos, como acontece com Dietmar Hopp, no Hoffenheim, que injeta dinheiro no clube desde 1989 e por isso pôde adquirir 96% das ações da instituição. 


Por que Bayer Leverkusen e Wolfsburg podem ser administrados por empresas de forma majoritária?
Ambos são exceção à regra. O Bayer Leverkusen foi fundado em 1904 por funcionários da Bayer, gigante farmacêutica e que possui sede na cidade de Leverkusen, que investe no clube desde os primórdios. No caso do Wolfsburg, o aporte da Volkswagen também vem desde a fundação do clube, em 1945. Funcionários da empresa automobilística fundaram tanto o clube como a cidade. E devido ao longo tempo de parceria, ambas associações ficaram de fora das limitações.


O RB Leipzig segue a lei dos 50+1?
Ao menos na toeria, sim. No entanto, quando o RB Leipzig foi fundado, a Red Bull substituiu todos os sócios do antigo SSV Markanstradt por funcionários da própria empresa. Ou seja, a Red Bull possui 49% das ações do clube e os outros 51% são de funcionários da mesma, tendo desta forma, um domínio absoluto do clube. Essa foi a brecha que encontraram na lei e que causa diversos protestos nas arquibancadas da Alemanha. 


Qual é a opinião dos clubes alemães e das torcidas em relação a lei?
Em 2018, a DFL convocou uma reunião e colocou a lei em votação pelos 34 clubes da primeira e da segunda divisão. A maioria foi favorável à manutenção da lei dos 50+1. Neste mesmo dia, o presidente da DFL recebeu um abaixo-assinado de 3 metros de comprimento com milhares de assinaturas de fã-clubes espalhados pelo mundo defendendo a permanência da lei. Nas arquibancadas não é diferente e os protestos são corriqueiros, sempre defendendo o 50+1.


Qual o motivo das manifestações contra Dietmar Hopp, proprietário do Hoffenheim?
Dietmar Hopp nunca foi um personagem querido pelos Ultras alemães. É o primeiro investidor a conseguir adquirir mais que 49% das ações de um clube, visto que possui um longo histórico de parceria com o Hoffenheim, ultrapassando os 20 anos previstos em lei. Por conta disso, possui 96% da associação e é quem dita as regras na agremiação de Sinsheim. Apesar de ter seguido a cartilha, é odiado pelos torcedores de outros clubes, que não admitem o fato e alegam que o futebol não pertence aos empresários. Além disso, os protestos foram desencadeados quando a torcida do Borussia Dortmund se manifestou contra o mandatário e foi punida com três anos de ausência em partidas contra o Hoffenheim fora de casa. Isso causou uma grande revolta nos torcedores de outros times também, que se solidarizaram com os auri-negros.


Além de Hopp, existem outros empresários odiados pelos torcedores?
Hasan Ismaik, do 1860 München, é muito perseguido pelos torcedores dos Leões. O investidor jordaniano adquiriu 60% das ações do clube mas por conta da lei só pode gerir 49% e desde então sempre tentou derrubar o 50+1, inclusive processando a Federação Alemã. Martin Kind, do Hannover 96, é também peça chave na discussão e é odiado pelos torcedores do próprio clube, que não admitem que o mesmo venha a se tornar o principal dono da agremiação.



Manifestações e protestos sempre fizeram parte dessa que é uma das principais discussões do futebol alemão, que agora vem resultando em paralisações de partidas e manifestações por conta dos próprios atletas. O tema é cada vez mais delicado e tenso, e não será surpresa se os clubes se reunirem num futuro próximo para debaterem novamente sobre o futuro da lei.


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