Poucos chutes, mas muitos gols: Dortmund preza pela eficiência

Foto: Divulgação / Borussia Dortmund

O Borussia Dortmund é, com folga, o primeiro colocado na Bundesliga e está entre os clubes que apresenta melhor futebol na Europa esta temporada, muito por conta do seu poder ofensivo. Mas não é como se a equipe dirigida por Lucien Favre estivesse forçando os goleiros adversários a praticar diversas defesas a cada partida. Apesar de ser o time com maior número de gols no campeonato alemão, o BVB não está entre os que mais finalizam. O faz a diferença em favor dos líderes é a sua eficiência no momento do chute. 

O Dortmund registra média de 12,7 finalizações por jogo na Bundesliga, apenas a 11ª maior marca do torneio ao lado do Wolfsburg. Até mesmo o Augsburg (14,4), na luta contra o rebaixamento, tem um número maior neste quesito, que tem o Bayern de Munique (17,9) com o índice mais alto. A estatística fica ainda mais curiosa quando olhamos as outras quatro principais ligas da Europa. Liverpool, Barcelona, Paris Saint-Germain e Juventus lideram a classificação e também estão entre os três times que mais finalizam nos seus respectivos campeonatos nacionais.

Só o Dortmund é líder em pontos, mas não está entre os que mais chutam. O que faz ele se destacar entre os demais na Alemanha é a capacidade de aproveitar bem as chances que cria. O Borussia precisa de menos de cinco finalizações para marcar um gol no campeonato nacional. O número é pior que o do Paris Saint-Germain, mas melhor que o dos primeiros colocados na Inglaterra, Espanha e Itália. A título de comparação com um rival local, o Bayern de Munique precisa de quase oito chutes para balançar a rede adversária na Bundesliga.



O estilo de jogo do Dortmund diz muito sobre essas características da equipe, de poucos chutes, mas alta eficiência. Ele tem seus melhores momentos quando consegue roubar a bola do adversário e chegar à meta em alta velocidade. É impressionante como o time de Lucien Favre ganha jogos com jogadas rápidas envolvendo seus meias e atacantes. Esses lances são responsáveis inclusive por grande parte do brilho de Marco Reus e Jadon Sancho nos últimos meses. Os dois costumam ser protagonistas a cada contra-ataque com passes de primeira, finalizações e, no caso do jovem inglês, muitos dribles.

Contra o Hannover, no último fim de semana, a partida era difícil até o Borussia marcar três gols em questão de minutos no segundo tempo. Todos eles nasceram com poucos toques na bola, aproveitando que a defesa não estava montada. Contra, o Bayern, no grande confronto da temporada até aqui, o caminho para a vitória foi semelhante. O gol decisivo de Paco Alcácer, surgiu de um desarme na defesa. Poucos segundos depois, o espanhol finalizou pras redes. Contra o Borussia Mönchengladbach, no encontro do líder contra o vice-líder da época, os dois gols foram criados em contra-ataques. E os exemplos se estendem por toda a temporada - veja nos vídeos no fim do texto os gols citados neste parágrafo e note como o BVB aproveita bem quando as defesas não estão bem posicionadas.

Essas jogadas em velocidade, com espaço para atacar, costumam resultar em ótimas chances de gol para o Dortmund. É muito mais fácil alterar o placar tendo poucos defensores à sua frente do que todo o sistema defensivo montado. Isso que ajuda a explicar a alta eficiência da equipe. Por outro lado, o atual líder da Bundesliga ainda pode evoluir ofensivamente em jogos que encontra um oponente recuado. Muitas vezes ele passa longos períodos sem finalizar porque não encontra o mesmo espaço dos contra-ataques. Por isso o Borussia não aparece entre os times do campeonato alemão que mais chutam a gol.

A temporada de Alcácer até aqui reflete um pouco essas características do Dortmund. Ele quase sempre sai do banco de reservas e fica poucos minutos em campo, mas marcou gol em seus primeiros dez chutes no alvo em partidas da Bundesliga. Eficiência absurda. Lucien Favre pode ainda trabalhar sua equipe para ela sofrer menos quando encontra um adversário retrancado. Saber superar uma retranca e fazer o goleiro trabalhar pode ser fundamental nos momentos finais de jogos decisivos. Mas as jogadas em velocidade ainda devem ser a arma mais letal do time este ano.







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